sábado, 12 de fevereiro de 2011

CONTROLE INADEQUADO DE PRAGAS EM MARCELINO VIEIRA - RN



É preocupante o processo de controle de pragas realizado pelo agricultores de Marcelino Vieira - RN, em todos os relatos citados pelos trabalhadores a equipe de extensão rural da EMATER local, apenas dois disseram não utilizar o carrapaticida Barrage no controle da lagarta rosca que vem dizimando as plantações de milho, feijão e pastagens em nosso município. O Barrage é um produto veterinário utilizado no controle de  todos os tipos de carrapatos em suas formas jovens ou adultas, inclusive linhagens resistentes à carrapaticidas de outros grupos químicos. O BARRAGE ® é muito eficaz contra a mosca-do-chifre (Haematobia irritans)  e apresenta boa estabilidade e permanece ativo por longo período de tempo. Tem um poder residual de 8 a 14 dias. O ingrediente ativo do Barrage é o Cypermethrin. sendo um produto altamente tóxico a peixes, abelhas e insetos aquáticos, de acordo com a rede de telecomunicações nacional dos Pesticides (NPTN). Deve-se evitar o contato com a pele, pois é absorvido com muita rapidez. É do grupo dos Piretroides e de acordo com a normas do ministério da agricultura, é um produto de uso veterinário  Licenciado n sob o nº 1.392, em 06/07/81, sendo desaconselhado sua utilização como pesticida para controle de pragas na agricultura. Mas esta recomendação não vem sendo obedecida pelos agricultores, nem pelos estabelecimentos de vendas de produtos agropecuários do nosso estado. Falta no mínimo orientação e fiscalização por parte dos órgãos competentes. O que nos cabe, como órgão de extensão rural, temos desaconselhado a utilização deste produto e repassado informações sobre o controle natural usando o óleo de algodão ou o extrato das folhas do Neem, que segundo dados literários controla aproximadamente 200 espécies de pragas, inclusive as que atualmente estão atacando as lavouras da nossa região.
Em conversa com os trabalhadores, os mesmos tem dado preferência a este tipo de produto por ser barato (R$ 2,00/vidro de 20 ml), ser de fácil aplicação e por haver um contato direto com a praga, tem um efeito instantâneo sobre o inseto, causando sua morte. Mas alertamos que mesmo em doses mais elevadas que o recomendado na bula, já ha´relatos da ineficácia do produto, o que mostra que a praga tem conseguido adquirir resistência ao princípio ativo mesmo em um período de tempo relativamente curto de aplicação.  Esta  é apenas uma das muitas ações negativas que teremos no decorrer deste inverno se não for feito algo de concreto para barrar a utilização deste produto na nossa região, pois além da contaminação ambiental há também um efeito residual sobre o alimento, o que acarretará uma contaminação em toda a cadeia de comercialização do produto, seja pelo ser humano que se alimenta desse tipo de produto, ou animais que consomem o resto de cultura. É  necessário discutir ações urgentes que possam minimizar o efeito do ataque desta praga e trabalhar o princípio da sustentabilidade para que possamos produzir alimentos saudáveis.

Texto: Junior Barbosa
Engenheiro Agrônomo
Especialista em Educação Ambiental


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